Saturday, 16 September 2017

Pós-verdade e notícias falsas-Literacia em mídia e jornalismo

Guia para identicar "fake news"
Quando era pequena, os meus vizinhos costumavam comprar o Jornal do Incrível. Quem o lesse ia pensar que  extraterrestres tinham aterrado em Lisboa e em outras histórias insólitas e completamente fabricadas. Hoje em dia, com o fenómeno das notícias falsas vivemos perpetuamente no universo desse pasquim. Lembro-me que as fotos eram chocantes e horrendas.
Nunca a literacia em meios de comunicação social foi mais importante do que agora. A quantidade de "fake news" que encontro nas redes socias vindas de pessoas que deviam saber identicá-las fez me pensar que há um enorme trabalho a fazer nesta área. Decidi começar pelas crianças e vou dar workshops em escolas primária este mês. Estou curiosa em descobrir que perguntas fazem e como esses nativos digitais vão reagir. 
Num mundo em que ideologias extremistas estão a ganhar terreno, em que Trump está na Casa Branca a propagar mentiras e desinformação, é necessário explicar o que são notícias falsas. A maior parte das pessoas com quem falo não se apercebe que se tratam de sites e notícias sompletamente fabricadas por motivos mais económicos do que políticos. Não estamos a falar de notícias meramente deturpadas, subjectivas, em que os factos não tenham sido confirmados e sejam dúbios. "Fake news" são completemente falsas, inventadas e publicadas em sites criados para o efeito. Donald Trump chama "fake news" a todas as notícias de que não gosta  e que expõem a sua incompetência, corrupção e abusos de poder. Isso serviu para criar ainda mais confusão, que é o objectivo dele e de outros agitadores semelhantes.
Apesar de cada vez mais pessoas desconfiarem dos mídia tradicionais ou institucionais, estes praticam jornalismo, sujeito a regras, ética profissional e normalmente fidedigno. Apesar das fronteiras terem sido esbatidas com a desintermediação, as redes sociais, a desconfiança face à ciência e a tudo o que é factual ou pretende ser não se pode comparar a BBC ou o New York Times com os sites onde aparecem as "fake news". Isto é diferente de notícias humorísticas, propaganda, pouco factuais.
Estes sites foram criados para que as pessoas cliquem, entrem e leiam. Cada vez que o fazem, alguém está a ganhar dinheiro em publicidade ou a tentar infectar computadores ou a roubar dados pessoais. Depois desaparecem,criam outros, são "escritos" por programadores informáticos e ciber-criminosos. Além de falsos, estão cheios de erros e de "iscos" para tentar que as pessoas cliquem. Pensem nestes exemplos de "fake news"
"o Papa apoia o Trump", "Sumo de laranja cura o cancro", "Hillary Clinton lidera rede pedófila com sede em pizaria". Há gente que acredita nisto, enquanto critica a RTP, ou a SIC ou a BBC ou o Público...Entretanto o Trump ganha, o Brexit ganha, os charlatões ganham, os aldrabões avançam.

DICAS PARA IDENTICAR NOTÍCIAS FALSAS
-Verifique o endereço do site, ou localizador unforme de recurso. Conhece o site? é confiável? Qual é a fonte? tem um endereço estranho por exemplo  acaba em "com.co". Alguns compiam nomes de meios de comunicação social conhecido, por exemplo "bbbc"

-O formato é fora do normal, com fotos que parecem ter sido alteradas?
-Não há secção "sobre nós", "quem somos", não ha autores tudo é anónimo
-Veja se a notícia tem data
-Veja se existem conteúdos repetidos no site
-Vá a um site de verificação de factos (Snopes), faça buscas para ver se a notícia aparece noutros sites
-Parece absurdo? parece uma história do dia das mentiras? parece bom de mais, chocante demais, ofensivo demais para ser verdade?



Wednesday, 1 May 2013

Trufas de vinho do Porto e bola



Bola da Isabel


 

Massa:

- 2 chávenas de farinha

- 2 colheres de sopa rasas de fermento

- 2 colheres de sopa de margarina

- 1 pitada de sal

Misturar tudo com as mãos e juntar,

- 2 ovos inteiros

- 1 chávena bem cheia de leite

Misturar tudo com as mãos.

Untar tabuleiro com margarina. Dispor uma camada de massa, de seguida uma camada compostas por queijo, fiambre e chourição. Alternar camadas sendo que a última terá de ser de massa.-

Friday, 27 July 2012

50 Shades of Grey: Triunfo da Misoginia

Não é a primeira vez que em debruço sobre a temática dos livros maus e aqui vou-me concentrar num livro péssimo. 50 Shades of Grey. O maior fenómeno de vendas do mundo editorial desde os disparates do Código Da Vinci de Dan Brown e as suas conspirações fajutas e medíocres. Depois do Harry Potter, que é apenas literatura para crianças de qualidade, mas baseada em meros clichés ter sido avidamente consumido por adultos infantilizados e obcecados com mundos irreais, vieram os vampiros, O Twilight e companhia são literatura juvenil que também atraiu os tais adultos tontos com interesse em histórias de adolescentes e crenças irracionais em amores eternos, vampiros e lobisomens. Em Dan Brown, o herói tem um "apêndice" feminino, secundário para enfeitar as suas aventuras. Harry Potter também tem uma amiga bruxinha, mas é ele, o caixa de óculos, que é o protagonista. A personagem central da série literária e cinematográfica dos vampiros é Bella, que se apaixona por um vampiro com quem casa, ele é o predador que quer sangue novo, ela é a presa que se subjuga, despojando-se até da sua humanidade pelo "amor".
Até que chegamos a 50 Shades of Grey, 60 anos depois da primeira onda feminista, temos um novo fenómeno editorial com um bestseller de literatura erótica para mulheres. Aqui, a nossa personagem central era uma "Maria ninguém" como Bella, até ter conhecido um milionário poderoso de quem se torna "escrava sexual". Para muitos "fazedores de opinião" misóginos esta é a prova de que as mulheres gostam de pormografia e adoram ter um papel submisso. O livro (e as suas sequelas e as cópias que inspirou) é extremamente mal escrito, absurdo e cretino. O sexo é repetitivo, degradante para as mulheres e ridículo. Leiam Marquês de Sade se gostam de sado-masoquismo, leiam boa literatura erótica. O problema aqui não é o erotismo e a conclusão fácil e conveniente que as mulheres aderiram à pornografia que se tornou agora "mainstream". Não. Meus amigos, o problema é que estamos a falar de livros muito maus com conceitos retrógados e que nos continuam a manter subjugadas às fantasias de violação, violência e perversidade que nos oprimem e mantêm no nosso lugar. Mesmo que a autora seja uma mulher, este livro não liberta as mulheres, agrilhoadas, escravizadas para o prazer masculino. As mulheres que são apenas julgadas com base no seu aspecto fisíco e cada vez mais "performance" sexual. Desmistificar o sexo não faz mal, mas que seja um sexo consensual, livre e saudável. Não venham dizer que a prostituição e a  pornografia são aceitáveis, porque não são e não é por razões morais. São uma indústria que desumaniza, oprime e corrói as mulheres, mesmo que elas tenham lucro e sejam participantes voluntárias. Este livrinho, escrito por uma mulher faz-nos regredir décadas. É perigoso e perpetua mitos como a dicotomia virgem-prostituta, que as mulheres querem ser possuídas e subjugadas e transformadas em objectos. O machismo e a desigualdade entre os sexos triunfaram se as próprias mulheres se convenceram de que é isto que querem, se se resignam a ler sorrateiramente e a debater entre risinhos adolescentes esta afronta, enquanto se increvem em mais uma aula de como dançar como num clube de strip-tease (pole dancing) e se endividam para pagar operações cirúrgicas para aumentar os seios e se inspiram na moda sado-masoquista porque assim se sentem "mais livres".

Nora Ephron: manteiga nunca é demais

Em Junho faleceu a jornalista e escritora Nora Ephron, aos 71 anos em Manhattan, Nova Iorque. A maioria das pessoas conhecem-na como guionista de When Harry met Sally , Sleepless in Seattle, You´ve got mail, todas elas divertidas e brilhantes. O seu último filme foi Julie & Julia, um delicioso pitéu de humor, drama e culinária com Meryl Streep no papel da legendária Julia Childs, que introduziu a cozinha francesa nos Estados Unidos através de uma série de livros e programs de televisão no início dos anos 60. Nora Ephron era muito mais do que isso, ela própria adorava cozinhar e escreveu um romace baseado na vida dela chamado Heartburn sobre divórcio, entremeado com receitas. Nascida numa família boémia judia, Nora cresceu com uns pais dramaturgos e alcoólicos que lhe diziam que "everything is copy", ou seja, tudo, por muito sério, díficil ou estranho pode servir para ser  usado e transformado em "peça ou artigo".  A sua primeira paixão foi o jornalismo e foi também casado com um dos mais famosos repórteres do mundo, Carl Bernstein, do Wall Street Journal, que me 1976 fez rebentar o escândalo "Watergate". Nora cobriu eventos históricos como a visita dos Beatles aos Estados Unidos.
O treino jornalístico fez com que conseguisse analisar e sintetizar com uma rapidez estonteante, por isso tem tantas citações geniais: Ao perguntarem-lhe se era religiosa dizze que a sua crença religiosa era que "you can never have enough butter". A manteiga vem a propósito do filme sobre Julia Childs, outra adepta incondicional da manteiga. Quem o não é? Os verdadeiros aficionados de Nora Ephron conhecem os diálogos dos seus filmes de cor e os seus ensaios sobre temas diversos desde a leitura, o jornalismo, o envelhecimento, o feminismo, a culinária. Estes dois livros são divertidos e captam bem a personalidade de uma mulher neurótica, inteligente, que tem sido comparada a Dorothy Parker.

I Feel Bad About My Neck: And Other Thoughts on Being a Woman (2006)
I Remember Nothing: And Other Reflections (2010)

Tom Hanks e Meryl Streep escreveram sobre Nora Ephron de quem eram amigos. Streep resumiu: "como posso falar sobre uma amiga que o diria melhor, duma maneira mais divertida e mais curta do que eu?"


Algumas citações de Nora Ephron:

"Oh, how I regret not worn a bikini for the entire year I was twenty-six. If anyone young is reading this, go, right this minute, put on a bikini, and don't take it off until you're thirty-four"
"[A successful parent is one] who raises a child who grows up and is able to pay for his or her own psychoanalysis."
“When your children are teenagers, it's important to have a dog so that someone in the house is happy to see you"
"When I buy a new book, I always read the last page first, that way in case I die before I finish, I know how it ends. That, my friend, is a dark side."

Tuesday, 3 July 2012

Razões para gostar do Kindle:

  • podemos descarregar mais de 1000 e levá-los connosco
  • saltitamos de um livro para o outro conforme nos apetece
  • é leve e prático de transportar
  • ninguém sabe o que estamos a ler
  • temos acesso a um novo livro num instante
  • os míopes podem aumentar a letra sem embaraço
  • tem uma luzinha para lermos à noite, escondidos
  • o Kindle mais básico não permite distracções ou divagações na internet
  • o ecrã permite uam leitura parecida com a dos livros de papel por casa da "tinta electrónica", não é como ler num computador ou i-pad
  • agrega e guarda artigos
  • os conteúdos a que está associado são bons 
  • a experiência de leitura é a mesma do que a dos livros de papel
Desvantagens: preço dos livros eletrónicos, não se pode emprestar nem dar livros e deasconselha-se o uso no banho...

Saturday, 16 July 2011

A Cinco Tons: Morreu a arqueóloga Maria Maia: funeral é amanhã à...

A Cinco Tons: Morreu a arqueóloga Maria Maia: funeral é amanhã à...: "Maria Maia, arqueóloga e especialista no período romano, morreu esta madrugada em Faro, vítima de cancro, realizando-se o funeral em Castro..."

Tuesday, 5 July 2011

Manifesto anti-Bimby

Só um tema suficientemente controverso e apaixonante me poderia fazer regressar a este espaço durante a minha ausência na pátria lusa. E não é o novo governo, a "troika", a profunda crise da economia e finanças, o facto de Portugal ser considerado "lixo" pelas agências de notação, nem outros assuntos prementes da actualidade, mas a Bimby. Ora, eu já tinha tido um contacto remoto com este aparelho de nome absurdamente rídiculo através de amigos portugueses, mas nunca tinha visto e interagido com uma, nem me tinha apercebido do seu impacto na vida portuguesa. Infelizmente não possuo dados sobre as vendas de Bimby em Portugal, mas ela é descconhecida na Grã-Bretanha e uma busca pouco científica assegurou-me da sua pouca divulgação noutros países. Porquê?
Nos jornais e revistasem Portugal há receitas para a Bimby, há livros, há gente na televisão, que diabo, a falar da Bimby.
Como o Ikea, a Bimby é possivelmente um dos males importados do norte da Europa que mais divide os casais e a população em geral. No Ikea, homens carrancudos arrastam-se sem entusiasmo, desejosos de irem apenas para o café comer iguarias suecas (pelo menos essa é a minha experiência). Há os que acham que o Ikea foi a melhor invenção depois da roda e da pólvora e os que acham que é uma aldrabice baratucha e de má qualidade que nos obriga a montar as coisas mais básicas e até panelas (comprei panelas que se tinha que aparafusar as tampas e os cabos) e nos cega com uma
miríade de objectos coloridos inúteis que nós passamos a acreditar que precisamos para que a nossa vida se torne subitamente mais escandinava.
A Bimby é semelhante, dividindo opiniões e criando conflictos. Para uns é a salvação na cozinha, ali a moer, cortar, triturar, cozer, misturar e a fazer barulhinhos irritantes e estridentes, qual robô da Guerra das Estrelas. Para outros é uma afronta.
Para mim é mais do que uma afronta é um verdadeiro escândalo que nos distancia do que é cozinhar. Fazer comida demora tempo, exige esforço, exige atenção. Não quer dizer que consigamos sempre cozinhar assim. Mas vale a pena tentar. Compreendo que seja um aparelho útil, mas só de olhar para as instruções me agonia, devida a uma fobia técnica instransponível. Tinha que ter sido inventada pelos alemães com o seu amor do prático e da maquinaria e também da distorção culinária. Os ingleses têm fama de ter má gastronomia, o que desde há 10 ou 15 anos para cá não é merecida. Os alemães por seu turno não só culpam os espanhóis dos pepinos supostamente contaminados, como não querem ajudar a Grécia e Portugal e acham que somos países pouco civilizados a viver à conta do norte da Europa. Mas o desplante máximo para mim é a Bimby, a grande vingança alemã contra o "slow food", o modo de vida do sul da Europa e do Mediterrâneo. Aos poucos os portugueses vão se tornando clones, como no livro e filme "Stepford Wives", donas-de-casa robotizadas e germanizadas, mesmo que pensem que estão a fazer bacalhau e pastéis de nata na Bimby.

Wednesday, 11 May 2011

O que eu tenho andado a ler...


  1. The island, Victoria Hislop-uma colónia de leprosos numa ilha grega nos anos 40 não parece um tema leve para ler nas férias, mas a história é cativante e as personagens interessantes, assim como o retrato de Creta e seus habitantes. Escrita um pouco telegráfica e factual, mas lê-se bem.

  2. The memory keeper's daugher, Kim Edwards-Gémeos separados à nascença, segredos de família, os efeitos da mentira, perda e vidas paralelas numa teia intrigante, num estilo fluído e elegante.

  3. Bordeaux housewives, Daisy Waugh- No género"Chic lit", com capa em tons rosa, é um livro para mulheres que querem escapar à realidade e sonham com princípes encantados. Passado na zona de Bodeaux conta a história de inglesas ricas a viver em França. Podia ser divertido, mas é superficial e com uma intriga forçada e previsível.

  4. Never let me go, Kazuo Ishiguro-Este é talvez o melhor desta colheita, seguido do número 2. Ficção científica à maneira do "Children of Men" de P D James, não no sentido de naves espaciais e extraterrestres, mas uma distopia (ou utopia negativa) perturbadora. Um futuro quase igual ao presente, mas em que a humanidade ou o que é ser humano está em causa. A história é contada por Kate que cresceu num colégio interno em condições aparentemente ideais. Aos poucos a personagem central vai se apercebendo do que a espera e nós leitores de que ela é um clone, criado para doar orgãos vitais. A "voz" da personagem é muito credível e a maneira como as crianças e adolescentes constroem e interpretam realidades é narrada de um modo verosímel.

Thursday, 24 March 2011

Serões da província-Vinhos no campo

Quando mudei de Londres para o campo houve uma coisa que notei de imediato: não foi o ar puro, nem a simpatia das terras pequenas, nem sequer o ritmo lento da vida bucólica, mas sim a qualidade execrável dos vinhos nos "pubs". Ora, na última década com a revolução gastronómica que ocorreu aqui no Reino, os vinhos servidos em "pubs" e restaurantes em Londres e nas outras grandes cidades melhoraram muito. Encontram-se listas razoáveis por região do mundo e o interesse por vinhos cresceu tanto que há pessoas que chamam às filhas Chardonnay, um dos piores exemplos de mau gosto, mas isso é outro tema.
Agora no campo, não há perigo de ninguém chamar Pinot Grigio às crianças. As listas de vinho, quando existem oferecem no máximo, três possibilidades. Num dos "pubs" da minha aldeia, o dono explicou que " não existe procura de vinhos bons" para justificar os vinhos disponsíveis que basicamente se podem descrever como: zurrapa tinta e zurrapa branca. Quando a minha irmã me visitou e fomos ao "pub", convenceu-me que eu não podia beber o vinagre que me serviram a fazer as vezes de vinho branco e decidiu discretamente dá-lo a beber às plantas da nossa mesa, enquanto eu temia que alguém nos apanhasse em tal delito e eu, a estrangeira fosse "persona non grata", com manias de vinhos e preciosismos afrancesados. A maioria das pessoas não provam os vinhos nos restaurantes e com grande embaraço pedem que lhes sirvam, seja o que fôr, tudo para não se queixarem e causarem consternação ao empregado. Acredito que o britânico típico prefere comer ou beber algo estragado do que ter que mandar coisas para trás e causar confusão. Ao contrário dos portugueses. Há "pubs", cujos empregados ficaram espantados quando eu perguntei se tinha champanhe na noite de fim do ano. Há pouco tempo pedi um vinho branco sauvignon blanc (o único) num "pub" na aldeia vizinha. Como o posso descrever? avinagrado no paladar, com notas de urina (aliás a cor era de urina escura, daquela que denota sérios problemas nos rins). Será que bebi...sim, claro, não me podia queixar...com água gasosa. Ainda me perguntam os meus familiares e amigos porque misturo eu vinho branco com água das pedras. Para diluir a urina. Por isso, estou a organizar uma prova de vinhos, no sentido de educar os gostos enológicos no campo inglês. A enóloga que vai fazer a prova já me disse que espera que os participantes bebam até à última gota cada vinho e não cuspam nada fora, o que também é a minha experiência em provas com ingleses. Como diz o Jamie Oliver (nunca pensei que o fosse citar tanto), a única maneira de fazer com que os super-mercados deixem de vender peixe mau é as pessoas exigirem peixe fresco. O mesmo se pode dizer dos vinhos. Vamos fazer uma revolução vinícola no campo e difundir a mensagem de que tem que haver escolha para os que não gostam de cerveja. Abaixo a urina!

Sunday, 20 February 2011

As serviçais-the Help-segregação cultural?

O livro "The Help" de Kathryn Stockett foi uma surpresa agradável para mim, recomendo-o já e garanto que é difícil de parar de ler, mal se entra na história. Em português entitula-se "As serviçais" e não faço ideia se a tradução é decente. É praticamente impossível de traduzir uma linguagem que é por vezes é um dialecto, muito idiomática e enraízada numa cultura e numa altura diferentes, mas mais do que a escrita, fascinou-me o enredo, a riqueza interior das personagens e os temas complexos em que toca.
Passado na cidade de Jackson no Mississipi nos anos 60, "The Help" relata a vida das criadas negras que tratam das crianças das famílias ricas, a segregação, o racismo da sociedade em que vivem, à beira de mudanças profundas. A trama centra-se em duas empregadas negras e uma rapariga branca, que quer ser escritora e decide contar as histórias dessas mulheres e a coragem delas ao desafiarem as leis que estipulavam a separação e a subordinação dos negros e as normas e convenções sociais da época.
Primeiro, ao ver a fotografia da autora, branca, loura e nova na contracapa e ao começar a ler capítulos na "voz" de Abileen, uma das criadas negras, tive sérias dúvidas sobre este livro e tive que ultrapassar uma certa irritação inicial. No entranto, a ficção é isso mesmo, essa capacidade de empatia, de extrapolar, de "fingir" com autencidade. A autencidade existe aqui, mesmo se activistas radicais acusaram Stockett de ser racista por ter ousado exprimir o que sentem personagens negras. Será que não é essa atitude que perpetua a segregação, também cultural de que só os negros podem escrever sobre negros e há barreiras que são intransponíveis?
O livro domina as listas de "bestsellers" do New York Times, teve em geral mais críticas positivas que negativas e é o primeiro romance de Stockett, que foi rejeitada por 50 agentes literários, antes de alguém ter visto o potencial deste livro: tem coisas importantes a dizer, apela às mulheres, sejam de que cor forem, confronta um tema que merece ser tratado e coloca questões e gera diálogo e controvérsia. Há muito tempo que não lia um livro tão completo, intrigante, emocionante e bem conseguido.

Monday, 24 January 2011

Carne de porco com batatas e limão


Uma receita super fácil para um vegetariano ou pessoa que só come peixe como eu fazer para carnívoros, embora devam perguntar-se porque cozinho eu carne, compactuando com a morte destes inocentes, mas por vezes é necessário...
Ingredientes:
Um lombo de carne de porco-700 ou 800 gramas
750 grams de batatas com casca, lavadas cortadas em segmentos ou palitos médios
3 limões cortados em segmentos
Azeite
Meia cabeça de alho, com casca, separados e lavados os dentes
Sementes de mostarda
Sal e pimenta a gosto
Método
Aqueça o forno a 180 graus
Coloque as batatas e os limões numa taça grande e regue com azeite, e tempere com sementes de mostarda, sal e pimenta e junte os alhos com a casca
Ponha a carne de porco num tabuleiro de ir ao forno e tempere com sal e pimenta e regue com duas colheres de azeite
Leve ao forno e suba para 200 graus, deixando a carne assar assim durante 15 ou 20 minutos
Baixe o forno para 180 graus e adicione as batatas e a marinada ao tabuleiro onde ficarão mais 40 minutos.
copywright Livros Petiscos e Iscos

Tuesday, 2 November 2010

Brownies do Jamie Oliver

Tenho feito esta receita várias vezes e é infalível. Funciona muito bem com cerejas, nozes ou frutos secos que se queiram adicionar. Para o Halloween fiz umas decorações em açucar cor de laranja a imitar abóboras para pôr em cada brownie. São relativamente fáceis, deliciosos e congelam-se bem ou duram uns bons dias em caixa de latão ou em recipiente de plástico. Aquecidos no micro-ondas com gelado por cima são divinais. Cada vez gosto e admiro mais o Jamie Oliver que criou esta receita para o restaurante dele, 15, um dos seus projectos sociais em que jovens sem-abrigo e de meios pobres são treinados nas artes culinárias.

Ingredientes:
250g manteiga sem sal
200 chocolate preto (pelo menos 70% de cacau) de boa qualidade
80g de cacau em pó peneirado
65g farinha peneirada
1 colher de chá de fermento
350 g de açucar (eu ponho 300 e já cheguei a pôr 250 para brownies menos doces)
4 ovos

Método
Forre uma forma com papel para bolos e aqueça o forno a 180 graus.
Em banho maria, derreta o chocolate e a manteiga
Numa taça grande misture o cacau, a farinha e o fermento, adicione a mistura de chocolate e manteiga derretida e mexa bem (eu uso uma batedeira eléctrica)
Junte os ovos um a um e mexa até obter uma consistência macia.
Deite na forma e coza 25 minutos. Ao contrário de outros bolos, o garfo não tem que vir limpo, porque os brownies querem-se moles por dentro.
Deixe arrefecer e corte em quadrados

Tuesday, 12 October 2010

Booker Prize 2010

Será hoje anunciado o vencedor do prestigioso prémio literário "Booker". A lista de seleccionados é a seguinte:
Peter Carey-Parrot and Olivier in America
Emma Donoghue-Room
Damon Galgut-In a Strange Room
Howard Jacobson-The Finkler Question
Andrea Levy-The Love Song
Tom McCarthy-C

Monday, 4 October 2010

A sombra do que fomos, Luis Sepúlveda

"Quando regressaste do exílio? Quis responder que do exílio não se regressa, que qualquer intenção de o fazer é um engano, uma tentativa absurda de habitar um país guardado na memória. Tudo é belo no país da memória, não há tremores e até a chuva é grata no país da memória"

Sunday, 3 October 2010

Sunday, 15 August 2010

Serões da Província-Corridas de sapos

Um amigo nosso que veio ficar cá em casa ontem à noite e mora em Londres sugeriu que eu escrevesse um blogue sobre a minha aldeia. A verdade é que este blogue já existe e as crónicas "Serões da Província" devem ser actualizadas. Cá vai:


A aldeia continua completamente adormecida e imersa numa bruma já quase outonal. O tempo esteve razoável até meados de Julho, mas depois decidiu que estamos na Inglaterra e não convém termos ilusões mediterrânicas. Não há perigo disso, pois tem chovido quase todos os dias e à noite faz uma arajem fria. A grande novidade é que o padre foi promovido a bispo (anglicano) e vai para Bristol, levando com ele a mulher e crianças que vi na festa da aldeia. Este foi o acontecimento do ano, com pequenas tendas a vender doces de fruta e bolos, jogos e uma mostra de tractores que entusiasmaram muitos miúdos e graúdos. Foi o meu segundo evento na aldeia, após uma estranha noite numa "gala" de caridade para angariar fundos para a escola. Havia uma separação entre a "creme de la creme" da terra, com o vigário, os médicos, o "senhor feudal" do sítio e o povo. Algumas senhoras estavam de vestidos compridos, mau-grado o frio , a chuva e o facto de estarmos numa espécie de barracão a assitir a um rídiculo leilão de sapos de cartolina. Para cada corrida dos tais sapos, tinhamos que apostar num deles e depois puxar uns cordéis para ver que sapo ganhava. Foi uma das noites mais aborrecidas e insólitas da minha vida. O pessaol da aldeia estava entusiasmadissimo, até que a electricidade foi abaixo e tivemos que comer à luz das velas e tentar vislumbrar os sapos. Houve discursos e falou-se da coragem e do espírito de perseverança dos aldeões, na face da adversidade e tudo por uma boa causa, como se em vez de ter faltado a luz por causa duma tempestade, estivessem a ser bombordeados pelos Nazis.
Outra grande novidade, mas que não surpreende ninguém é a venda do pub, . Este estabelecimento demora várias horas a servir uma sanduiche, diversas vezes não tem água gaseificada, coca-cola ou bebidas que não sejam alcoólicas, até porque é gerido por um senhor embriagado e mal-encarado que não gosta de ter clientes e prefere beber a tarde inteira em silêncio com um homem com ar campónio e t-shirt a dizer Los Angeles que está sempre sentado ao pé do bar. Vai-se lá saber onde irá passar os dias quando o pub arranjar comprador.
Entretanto um grupo amador está a tentar montar uma peça de teatro e houve uma zaragatazita entre os organizadores de um concerto de música clássica na igreja e um comité para debater obras a fazer na paróquia porque as datas dos eventos coincidiam. É assim a vida de uma aldeia movimentada. Em Setembro vai haver um concurso de vegetais que vão competir em termos de tamanho e aparência geral. Infelizmente não vou cá estar...

Friday, 23 July 2010

Casacos de peles e homofobia

Ontem vi um filme inacreditável com o Cary Grant e a Doris Day. Apesar de adorar o Cary Grant, que personifica o carisma, o estilo, o humor da época e gostar imenso de ver filmes passados numa altura em que beber cocktails ao almoço é considerado normal e as pessoas se vestiam bem e tinham telefones verdes limão (no caso deste filme particular) fiquei estupefacta com a mensagem do "That touch of mink" de 1962. Estava-se a entrar nos anos 60 e este filme mostra tudo o que aterrorizava a mentalidade conservadora dos Estados Unidos no dealbar da revolução social que ocorre nesta década: A desintegração da família, a emancipação das mulheres, a existência de outras relações que não as tradicionais, a possibilidade de outros pontos de vista.
Cary Grant é um homem de negócios de sucesso, Doris Day é uma secretária desempregada provinciana, com valores sólidos que se enamora dele. Ora, Cary Grant não quer casar, mas quer dormir com ela, tentando seduzi-la com jantares, viagens às Bermudas e casacos de pele. Este filme desaprova seriamente do sexo antes do casamento e tenta mostrar de uma maneira divertida com uma série de peripécias, em que a secretária tenta escapar-se aos truques do Cary Grant, uma das vezes dizendo-lhe até que tinha "um tio socialista", uma revelação destinada a dissuadi-lo de tentar partilhar o leito antes de ter a aliança firmemente no dedo. Antecipando as comédias românticas em que as mulheres não passam de umas tontas, que só fazem disparates e pensam em casamentos, Doris Day que não está muito interessada em trabalhar, fica inebriada com as fatiotas (de facto deslumbrantes) e os casacos de pele (dispenso).
Mas o mais chocante é uma personagem secundária, Roger, o melhor amigo, assistente de Cary Grant que reforça a comédia com alguns comportamentos absurdos. Um mal-entendido com o psiquiatra que o trata há anos faz com que este pense que Roger está envolvido com o patrão. O que é sinistro é o analista achar que Roger está completamente louco e destabilizado, que tem continuar a análise "mas com outro terapeuta". O psiquiatra decide que tem que estudar mais em Viena, o berço de Freud, sendo o caso tão sério. Roger continua a falar de Cary Grant e a contar do casamento (como calculam ele cede e casa com Doris Day) o que tem um efeito cómico, por parecer que é ele que casa com Grant, mas ao mesmo tempo mostra como a homosexualidade era vista como uma condição psiquiátrica grave. A grande ironia é que Grant era bisexual, segundo um dos seus biógrafos. Apesar de ter casado cinco vezes, viveu 12 anos com um actor amigo, Randolph Scott. Com uma infância extremamente infeliz e sob uma enorme pressão de Holywood, é possível que ele, como outros tenham tido que fingir serem heterosexuais, participando até em filmes homofóbicos.

Friday, 16 July 2010

Pãezinhos com chouriço

Nunca tive muito jeito para pães e bolos e a minha avó costumava dizer que eu não "tinha mão para massas". 20 e tal anos em dietas causaram-me uma séria fobia de açucares e hidratos de carbono, que agora ultrapassei. Enquanto que para fazer entradas e pratos principais pode-se inventar e não seguir receitas à risca, para fazer sobremessas, bolos e pães, as medidas têm que estar absolutamente correctas. Com esta nova atitude científica perante a arte de amassar e da pastelaria e doçaria, iniciei-me talvez numa paixão que pode durar uma vida inteira. Demora horas, mas é relaxante e não há nada como comer pão acabado de fazer.

Estes pães são deliciosos e relativamente fáceis.


6 Pãezinhos médios

Ingredientes:

meio quilo de farinha e mais 200 gr para amassar

1 colher de chá de fermento

3 colheres de sopa de açucar

3 colheres de sopa de sal

2 ovos e uma gema à parte

meio copo pequeno de água

meio copo pequeno de leite

Rodelas de chouriço


Método:
Acenda o forno a 180 graus.
Coloca-se a farinha peneirada numa taça grande e mistura-se com o fermento açucar e sal, faz-se um buraco no meio e adiciona-se o leite e a água, incorporando bem, depois junta-se os ovos, mexendo sempre. Deixa-se a massa descansar durante meia hora tapada. Amassa-se a seguir, em superfície enfarinhada e juntando o resto da farinha até obter uma consistência elástica, mas ainda mais para o líquido. Fazem-se bolinhas, pondo rodelas de chouriço no interior de cada pão e pincela-se com a gema de ovo. Leve a forno quente durante 20 minutos em tabuleiro polvilhado de farinha.

Tuesday, 29 June 2010

Tapenade/pasta de azeitona

Costumava comer tapenade quando estava em Lyon, França e ia aos restaurantes do Paul Bocuse, em torno das regiões gastronómicas francesas, o sul, norte, Este e Oeste. Le Sud era o meu preferido já que oferecia comida da Provença, mais leve, com algumas opções vegetarianas, o que era raro em Lyon. Esta receita de tapenade é muito simples e é deliciosa com pão ou tostas.

Ingredientes:
300 gr de azeitonas pretas descaroçadas
5 colheres de sopa de azeite,
salsa
50gr de anchovas em azeite

Método:
Bata com a varinha mágica, deite um fio de azeite por cima e sirva