Friday, 16 July 2010

Pãezinhos com chouriço

Nunca tive muito jeito para pães e bolos e a minha avó costumava dizer que eu não "tinha mão para massas". 20 e tal anos em dietas causaram-me uma séria fobia de açucares e hidratos de carbono, que agora ultrapassei. Enquanto que para fazer entradas e pratos principais pode-se inventar e não seguir receitas à risca, para fazer sobremessas, bolos e pães, as medidas têm que estar absolutamente correctas. Com esta nova atitude científica perante a arte de amassar e da pastelaria e doçaria, iniciei-me talvez numa paixão que pode durar uma vida inteira. Demora horas, mas é relaxante e não há nada como comer pão acabado de fazer.

Estes pães são deliciosos e relativamente fáceis.


6 Pãezinhos médios

Ingredientes:

meio quilo de farinha e mais 200 gr para amassar

1 colher de chá de fermento

3 colheres de sopa de açucar

3 colheres de sopa de sal

2 ovos e uma gema à parte

meio copo pequeno de água

meio copo pequeno de leite

Rodelas de chouriço


Método:
Acenda o forno a 180 graus.
Coloca-se a farinha peneirada numa taça grande e mistura-se com o fermento açucar e sal, faz-se um buraco no meio e adiciona-se o leite e a água, incorporando bem, depois junta-se os ovos, mexendo sempre. Deixa-se a massa descansar durante meia hora tapada. Amassa-se a seguir, em superfície enfarinhada e juntando o resto da farinha até obter uma consistência elástica, mas ainda mais para o líquido. Fazem-se bolinhas, pondo rodelas de chouriço no interior de cada pão e pincela-se com a gema de ovo. Leve a forno quente durante 20 minutos em tabuleiro polvilhado de farinha.

Tuesday, 29 June 2010

Tapenade/pasta de azeitona

Costumava comer tapenade quando estava em Lyon, França e ia aos restaurantes do Paul Bocuse, em torno das regiões gastronómicas francesas, o sul, norte, Este e Oeste. Le Sud era o meu preferido já que oferecia comida da Provença, mais leve, com algumas opções vegetarianas, o que era raro em Lyon. Esta receita de tapenade é muito simples e é deliciosa com pão ou tostas.

Ingredientes:
300 gr de azeitonas pretas descaroçadas
5 colheres de sopa de azeite,
salsa
50gr de anchovas em azeite

Método:
Bata com a varinha mágica, deite um fio de azeite por cima e sirva

Sunday, 6 June 2010

Cheesecake de limão



Ingredientes

4 limões
300 gr leite condensado
150 gr natas
200 gr cream cheese, queijo creme tipo philadelphia
100 gr bolachas
75 gr manteiga

Método

Colocar as bolachas num saco de plástico transparente e bater com o rolo da massa até ficarem em migalhas. Derreter a manteiga ao lume e juntar as bolachas esmigalhadas, aquecer até começarem a endurecer.

Tirar do lume e pôr numa forma com "fundo falso" e fazer uma base alisando com uma colher.
Bater as natas, queijo e leite condensado com sumo dôs limões e com raspas de casca de limão até obter uma mistura cremosa e homógenea. Espanhar por cima da da base de bolachas e alisar com uma faca. Põr no frigorífico durante a noite para alcançar a consistência certa. No dia seguinte, retirar com cuidado a forma, tendo cuidado para não despegar a base do creme. Deitar casca de limão ralada em cima e servir.

Friday, 7 May 2010

Impasse eleitoral e do poleiro não saio

Os britânicos foram às urnas ontem e ninguém ganhou, dizem os comentadores políticos e a comunicação social, embora estejamos ainda à espera dos últimos resultados. Na realidade, o Partido Conservador venceu sem maioria absoluta. Isso significa, neste estranho sistema, que o actual Primeiro-ministro, o Trabalhista Gordon Brown pode continuar no governo. Não foi eleito, tendo ascendido ao poder quando Tony Blair se demitiu e tendo evitado convocar eleições por não ter pressa nenhuma de legitimar o seu cargo, Brown não parece inclinado a aceitar a derrota e apresentar a demissão à Rainha, que por seu lado também não tem o poder para influenciar absolutamente nada. Isto é suposto ser o berço da democracia parlamentar e o exemplo máximo de como um país deve ser gerido. O problema é que os deputados andavam todos a meter dinheiro ao bolso num escândalo de corrupção grave, que o público está desiludido, que não existe aqui um Obama, um político com o carisma e a coragem para fazer frente ao "establishment" e toda a gente anda só preocupada com os mercados, esses abstractos seres que querem estabilidade, porque senão daqui a pouco não estamos na Madeira, mas estamos na Grécia. Os Liberais Democratas querem uma reforma eleitoral profunda para um sistema de representação proporcional, o que os faria aumentar o número de deputados. Na Grã-Bretanha vota-se em candidatos do círculo eleitoral e não no partido, ou seja, a terceira maior força política, o Partido Liberal Democrata e os "pequenos" saem sempre a perder.
O povo votou, mais de dois milhões preferem os conservadores, o que não é suficiente. O líder David Cameron tentou mudar a imagem dos "Tories", mas a memória é uma coisa interessante e muitos não esquecem os governos conservadores dos últimos anos e até séculos. Um partido, que foi contra a abolição da escravatura, a criação do serviço nacional de saúde, a estipulação do salário mínimo nacional. Estes avanços nas condições de vida das pessoas fazem parte das conquistas e do património ideológico dos trabalhistas e dos liberais. No entanto, com um líder como Brown, que representa tudo o que pior pode haver num político: falta de princípios, interesse exclusivo no poder, falta de respeito pelos colegas, adversários e população em geral e falta de lealdade deve haver muita gente que começa a achar que Tony Blair, não fosse aquele pequeno, gigantesco erro da guerra do Iraque, não era tão medíocre assim...

Saturday, 10 April 2010

O magnífico género da comédia romântica

Há algum tempo que queria escrever sobre o fascinante tema da comédia romântica. Esta deriva das "screwball comedies" que surgiram nos anos 30, que um crítico descreveu como "comédias sexuais sem sexo". Trata-se de uma farsa excêntrica em que existe romance, misturado com uma série de peripécias e incongruências. O meu favorito é "Bringing up Baby" de 1938 com Katherine Hepburn e o magífico Cary Grant. Um dos meus actores preferidos, Grant era perfeito para estes filmes com o seu carisma, porte e com um sentido de humor subtil e sarcástico. Por seu lado Katherine Hepburn era uam força da natureza, que não tinha uma beleza clássica a la Grace Kelly, mas exalava inteligência e carácter.
Hoje em dia, muitas comédias românticas têm um guião previsível que é mais ou menos assim com algumas variações: Há uma solteirona gira, mas reprimida com algum sucesso profissional e nenhuma sorte nos amores, cuja mãe quer que case. Uso o termo solteirona, mas refiro-me no fundo a uma mulher de 30 anos no máximo, considerada já entradota nestes filmes. Ora esta protagonista às vezes tem um gato e um apartamento sofisticado e um grupo de amigas. Aliás na comédia romântica há sempre o melhor ou a melhor amiga do casal, que eventualmente podem até juntar-se (ver When Harry Met Sally). O papel destes é ouvir as histórias de cada um para os encorajar e para que a acção possa avançar e serem também cómicos (ver You´ve Got Mail)
Logo no início, a protagonista conhece um homem que normalmente não gosta e que depois se apercebe que é a sua alma gémea. Este processo implica interesse por outros homens que parecem perfeitos mas não o são e implica que ambos tenham gostos e excentricidades semelhantes que são vistas aqui como determinantes para a ideia que "foram feitos um para o outro". Depois de vários eventos, o casal junta-se. É uma fórmula previsível mas que funciona. Depois os sub-géneros da comédia romântica, como os que se centram em casamentos (My best friend´s wedding). Existe também a comédia romântica com pretensões intelectuais e não há nada pior.
Cada década tem a sua face ou casal para este tipo de filmes, como por exemplo Meg Ryan e Tom Hanks nos anos 80 e 90 ou Dorris Day e Rock Hudson nos ano 50. a comédia romântica infelizmente, para uma apreciadora como eu, tem vindo a piorar muito e muitas recentes são extremamente reducionistas e machistas, mostrando as mulheres como tontas obcecadas por compras e casamentos. Na altura da Meg Ryan, as personagens ainda eram jornalistas ou donas de livrarias, agora o mais a que podemos aspirar é a fisgar um homem, que aliás é a mensagem do Sex and the City.
Para mim há dois grandes nomes neste género: Nancy Myers e Nora Ephron.
O mais recente filme de Nancy Myers é It´s complicated com Merryl Streep e Alec Baldwin, a comédia romântica para a malta de meia idade. Myers realizou a Holyday que eu adoro e o fantástico Baby Boom com Diane Keaton, em que ela é uma executiva nos anos 80 com chumaços e sobretudos daqueles muito compridos que se vê com um bébé a ter que abidicar da carreira e a fazr doce de maçã no campo. Nora Ephron realizou When Harry met Sally (a Bíblia da comédia romântica) Heartburn, baseado no romance que eal escreveu e que é fabuloso (o filme é com a Merryl Streep e o Jack Nicholson) e Sleepless em Seattle entre outros.

Saturday, 3 April 2010

The Secret History, Donna Tartt


Ontem disse a uns amigos que tinha acabado de ler este romance ou thriller. "É sobre incesto, não é?", perguntou a minha amiga que tinha lido o livro há dez anos. Por acaso não é sobre incesto. É interessante como nos esquecemos de livros que lemos ou como ficamos com uma certa imagem ou ideia que nos marcou particularmente. Apesar de haver uam relação incestuosa, eu diria que é sobre a dinâmica de um grupo de colegas e um professor numa universidade fictícia americana. É um "campus novel" por excelência, em que a acção é passada no ambiente intelectual, claustrofóbico e elitista duma faculdade. O protagonista conta a história da perspectiva mista de participante, mas ao mesmo tempo sente-se excluido do círculo de eleitos do professor de grego. O professor controla e influencia este pequeno grupo com os seus ideais estéticos clássicos, desdenhando a moralidade convencional. A personagem mais fascinante é o líder dos alunos, Henry, um poliglota ultra-inteligente, culto, frio e calculista. Publicado em 1992, este romance parece às vezes um pouco datado, embora seja possível que existam personagens semelhantes em universidades americanas de luxo, hoje em dia.
Com referências eruditas, romance, crime, chantagem, paranóia, conflito, lê-se bem, mau-grado ser demasiado longo. É um daqueles exemplos de um bom livro que se torna medíocre para o fim, ou seja arrasta-se nas últimas 100 ou 50 páginas e conclui de uma maneira um pouco atabalhoada, como se fosse numa direcção e depois perdesse o norte. Acontece a muitos.
Exemplos de "campus novels"
Nice work, David Lodge
The War between the Tates, Alison Lurie
Disgrace, J.M Coetzee
Human Stain, Philip Roth