O livro "The Help" de Kathryn Stockett foi uma surpresa agradável para mim, recomendo-o já e garanto que é difícil de parar de ler, mal se entra na história. Em português entitula-se "As serviçais" e não faço ideia se a tradução é decente. É praticamente impossível de traduzir uma linguagem que é por vezes é um dialecto, muito idiomática e enraízada numa cultura e numa altura diferentes, mas mais do que a escrita, fascinou-me o enredo, a riqueza interior das personagens e os temas complexos em que toca.
Passado na cidade de Jackson no Mississipi nos anos 60, "The Help" relata a vida das criadas negras que tratam das crianças das famílias ricas, a segregação, o racismo da sociedade em que vivem, à beira de mudanças profundas. A trama centra-se em duas empregadas negras e uma rapariga branca, que quer ser escritora e decide contar as histórias dessas mulheres e a coragem delas ao desafiarem as leis que estipulavam a separação e a subordinação dos negros e as normas e convenções sociais da época.
Primeiro, ao ver a fotografia da autora, branca, loura e nova na contracapa e ao começar a ler capítulos na "voz" de Abileen, uma das criadas negras, tive sérias dúvidas sobre este livro e tive que ultrapassar uma certa irritação inicial. No entranto, a ficção é isso mesmo, essa capacidade de empatia, de extrapolar, de "fingir" com autencidade. A autencidade existe aqui, mesmo se activistas radicais acusaram Stockett de ser racista por ter ousado exprimir o que sentem personagens negras. Será que não é essa atitude que perpetua a segregação, também cultural de que só os negros podem escrever sobre negros e há barreiras que são intransponíveis?
O livro domina as listas de "bestsellers" do New York Times, teve em geral mais críticas positivas que negativas e é o primeiro romance de Stockett, que foi rejeitada por 50 agentes literários, antes de alguém ter visto o potencial deste livro: tem coisas importantes a dizer, apela às mulheres, sejam de que cor forem, confronta um tema que merece ser tratado e coloca questões e gera diálogo e controvérsia. Há muito tempo que não lia um livro tão completo, intrigante, emocionante e bem conseguido.
Sunday, 20 February 2011
Monday, 24 January 2011
Carne de porco com batatas e limão
Uma receita super fácil para um vegetariano ou pessoa que só come peixe como eu fazer para carnívoros, embora devam perguntar-se porque cozinho eu carne, compactuando com a morte destes inocentes, mas por vezes é necessário...
Ingredientes:
Um lombo de carne de porco-700 ou 800 gramas
750 grams de batatas com casca, lavadas cortadas em segmentos ou palitos médios
3 limões cortados em segmentos
Azeite
Meia cabeça de alho, com casca, separados e lavados os dentes
Sementes de mostarda
Sal e pimenta a gosto
Método
Aqueça o forno a 180 graus
Coloque as batatas e os limões numa taça grande e regue com azeite, e tempere com sementes de mostarda, sal e pimenta e junte os alhos com a casca
Ponha a carne de porco num tabuleiro de ir ao forno e tempere com sal e pimenta e regue com duas colheres de azeite
Leve ao forno e suba para 200 graus, deixando a carne assar assim durante 15 ou 20 minutos
Baixe o forno para 180 graus e adicione as batatas e a marinada ao tabuleiro onde ficarão mais 40 minutos.
copywright Livros Petiscos e Iscos
Tuesday, 2 November 2010
Brownies do Jamie Oliver
Tenho feito esta receita várias vezes e é infalível. Funciona muito bem com cerejas, nozes ou frutos secos que se queiram adicionar. Para o Halloween fiz umas decorações em açucar cor de laranja a imitar abóboras para pôr em cada brownie. São relativamente fáceis, deliciosos e congelam-se bem ou duram uns bons dias em caixa de latão ou em recipiente de plástico. Aquecidos no micro-ondas com gelado por cima são divinais. Cada vez gosto e admiro mais o Jamie Oliver que criou esta receita para o restaurante dele, 15, um dos seus projectos sociais em que jovens sem-abrigo e de meios pobres são treinados nas artes culinárias.
Ingredientes:
250g manteiga sem sal
200 chocolate preto (pelo menos 70% de cacau) de boa qualidade
80g de cacau em pó peneirado
65g farinha peneirada
1 colher de chá de fermento
350 g de açucar (eu ponho 300 e já cheguei a pôr 250 para brownies menos doces)
4 ovos
Método
Forre uma forma com papel para bolos e aqueça o forno a 180 graus.
Em banho maria, derreta o chocolate e a manteiga
Numa taça grande misture o cacau, a farinha e o fermento, adicione a mistura de chocolate e manteiga derretida e mexa bem (eu uso uma batedeira eléctrica)
Junte os ovos um a um e mexa até obter uma consistência macia.
Deite na forma e coza 25 minutos. Ao contrário de outros bolos, o garfo não tem que vir limpo, porque os brownies querem-se moles por dentro.
Deixe arrefecer e corte em quadrados
Ingredientes:
250g manteiga sem sal
200 chocolate preto (pelo menos 70% de cacau) de boa qualidade
80g de cacau em pó peneirado
65g farinha peneirada
1 colher de chá de fermento
350 g de açucar (eu ponho 300 e já cheguei a pôr 250 para brownies menos doces)
4 ovos
Método
Forre uma forma com papel para bolos e aqueça o forno a 180 graus.
Em banho maria, derreta o chocolate e a manteiga
Numa taça grande misture o cacau, a farinha e o fermento, adicione a mistura de chocolate e manteiga derretida e mexa bem (eu uso uma batedeira eléctrica)
Junte os ovos um a um e mexa até obter uma consistência macia.
Deite na forma e coza 25 minutos. Ao contrário de outros bolos, o garfo não tem que vir limpo, porque os brownies querem-se moles por dentro.
Deixe arrefecer e corte em quadrados
Tuesday, 12 October 2010
Booker Prize 2010
Será hoje anunciado o vencedor do prestigioso prémio literário "Booker". A lista de seleccionados é a seguinte:
Peter Carey-Parrot and Olivier in America
Emma Donoghue-Room
Damon Galgut-In a Strange Room
Howard Jacobson-The Finkler Question
Andrea Levy-The Love Song
Tom McCarthy-C
Peter Carey-Parrot and Olivier in America
Emma Donoghue-Room
Damon Galgut-In a Strange Room
Howard Jacobson-The Finkler Question
Andrea Levy-The Love Song
Tom McCarthy-C
Monday, 4 October 2010
A sombra do que fomos, Luis Sepúlveda
"Quando regressaste do exílio? Quis responder que do exílio não se regressa, que qualquer intenção de o fazer é um engano, uma tentativa absurda de habitar um país guardado na memória. Tudo é belo no país da memória, não há tremores e até a chuva é grata no país da memória"
Sunday, 3 October 2010
Sunday, 15 August 2010
Serões da Província-Corridas de sapos
Um amigo nosso que veio ficar cá em casa ontem à noite e mora em Londres sugeriu que eu escrevesse um blogue sobre a minha aldeia. A verdade é que este blogue já existe e as crónicas "Serões da Província" devem ser actualizadas. Cá vai:
A aldeia continua completamente adormecida e imersa numa bruma já quase outonal. O tempo esteve razoável até meados de Julho, mas depois decidiu que estamos na Inglaterra e não convém termos ilusões mediterrânicas. Não há perigo disso, pois tem chovido quase todos os dias e à noite faz uma arajem fria. A grande novidade é que o padre foi promovido a bispo (anglicano) e vai para Bristol, levando com ele a mulher e crianças que vi na festa da aldeia. Este foi o acontecimento do ano, com pequenas tendas a vender doces de fruta e bolos, jogos e uma mostra de tractores que entusiasmaram muitos miúdos e graúdos. Foi o meu segundo evento na aldeia, após uma estranha noite numa "gala" de caridade para angariar fundos para a escola. Havia uma separação entre a "creme de la creme" da terra, com o vigário, os médicos, o "senhor feudal" do sítio e o povo. Algumas senhoras estavam de vestidos compridos, mau-grado o frio , a chuva e o facto de estarmos numa espécie de barracão a assitir a um rídiculo leilão de sapos de cartolina. Para cada corrida dos tais sapos, tinhamos que apostar num deles e depois puxar uns cordéis para ver que sapo ganhava. Foi uma das noites mais aborrecidas e insólitas da minha vida. O pessaol da aldeia estava entusiasmadissimo, até que a electricidade foi abaixo e tivemos que comer à luz das velas e tentar vislumbrar os sapos. Houve discursos e falou-se da coragem e do espírito de perseverança dos aldeões, na face da adversidade e tudo por uma boa causa, como se em vez de ter faltado a luz por causa duma tempestade, estivessem a ser bombordeados pelos Nazis.
Outra grande novidade, mas que não surpreende ninguém é a venda do pub, . Este estabelecimento demora várias horas a servir uma sanduiche, diversas vezes não tem água gaseificada, coca-cola ou bebidas que não sejam alcoólicas, até porque é gerido por um senhor embriagado e mal-encarado que não gosta de ter clientes e prefere beber a tarde inteira em silêncio com um homem com ar campónio e t-shirt a dizer Los Angeles que está sempre sentado ao pé do bar. Vai-se lá saber onde irá passar os dias quando o pub arranjar comprador.
Entretanto um grupo amador está a tentar montar uma peça de teatro e houve uma zaragatazita entre os organizadores de um concerto de música clássica na igreja e um comité para debater obras a fazer na paróquia porque as datas dos eventos coincidiam. É assim a vida de uma aldeia movimentada. Em Setembro vai haver um concurso de vegetais que vão competir em termos de tamanho e aparência geral. Infelizmente não vou cá estar...
A aldeia continua completamente adormecida e imersa numa bruma já quase outonal. O tempo esteve razoável até meados de Julho, mas depois decidiu que estamos na Inglaterra e não convém termos ilusões mediterrânicas. Não há perigo disso, pois tem chovido quase todos os dias e à noite faz uma arajem fria. A grande novidade é que o padre foi promovido a bispo (anglicano) e vai para Bristol, levando com ele a mulher e crianças que vi na festa da aldeia. Este foi o acontecimento do ano, com pequenas tendas a vender doces de fruta e bolos, jogos e uma mostra de tractores que entusiasmaram muitos miúdos e graúdos. Foi o meu segundo evento na aldeia, após uma estranha noite numa "gala" de caridade para angariar fundos para a escola. Havia uma separação entre a "creme de la creme" da terra, com o vigário, os médicos, o "senhor feudal" do sítio e o povo. Algumas senhoras estavam de vestidos compridos, mau-grado o frio , a chuva e o facto de estarmos numa espécie de barracão a assitir a um rídiculo leilão de sapos de cartolina. Para cada corrida dos tais sapos, tinhamos que apostar num deles e depois puxar uns cordéis para ver que sapo ganhava. Foi uma das noites mais aborrecidas e insólitas da minha vida. O pessaol da aldeia estava entusiasmadissimo, até que a electricidade foi abaixo e tivemos que comer à luz das velas e tentar vislumbrar os sapos. Houve discursos e falou-se da coragem e do espírito de perseverança dos aldeões, na face da adversidade e tudo por uma boa causa, como se em vez de ter faltado a luz por causa duma tempestade, estivessem a ser bombordeados pelos Nazis.
Outra grande novidade, mas que não surpreende ninguém é a venda do pub, . Este estabelecimento demora várias horas a servir uma sanduiche, diversas vezes não tem água gaseificada, coca-cola ou bebidas que não sejam alcoólicas, até porque é gerido por um senhor embriagado e mal-encarado que não gosta de ter clientes e prefere beber a tarde inteira em silêncio com um homem com ar campónio e t-shirt a dizer Los Angeles que está sempre sentado ao pé do bar. Vai-se lá saber onde irá passar os dias quando o pub arranjar comprador.
Entretanto um grupo amador está a tentar montar uma peça de teatro e houve uma zaragatazita entre os organizadores de um concerto de música clássica na igreja e um comité para debater obras a fazer na paróquia porque as datas dos eventos coincidiam. É assim a vida de uma aldeia movimentada. Em Setembro vai haver um concurso de vegetais que vão competir em termos de tamanho e aparência geral. Infelizmente não vou cá estar...
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