Tuesday, 2 November 2010

Brownies do Jamie Oliver

Tenho feito esta receita várias vezes e é infalível. Funciona muito bem com cerejas, nozes ou frutos secos que se queiram adicionar. Para o Halloween fiz umas decorações em açucar cor de laranja a imitar abóboras para pôr em cada brownie. São relativamente fáceis, deliciosos e congelam-se bem ou duram uns bons dias em caixa de latão ou em recipiente de plástico. Aquecidos no micro-ondas com gelado por cima são divinais. Cada vez gosto e admiro mais o Jamie Oliver que criou esta receita para o restaurante dele, 15, um dos seus projectos sociais em que jovens sem-abrigo e de meios pobres são treinados nas artes culinárias.

Ingredientes:
250g manteiga sem sal
200 chocolate preto (pelo menos 70% de cacau) de boa qualidade
80g de cacau em pó peneirado
65g farinha peneirada
1 colher de chá de fermento
350 g de açucar (eu ponho 300 e já cheguei a pôr 250 para brownies menos doces)
4 ovos

Método
Forre uma forma com papel para bolos e aqueça o forno a 180 graus.
Em banho maria, derreta o chocolate e a manteiga
Numa taça grande misture o cacau, a farinha e o fermento, adicione a mistura de chocolate e manteiga derretida e mexa bem (eu uso uma batedeira eléctrica)
Junte os ovos um a um e mexa até obter uma consistência macia.
Deite na forma e coza 25 minutos. Ao contrário de outros bolos, o garfo não tem que vir limpo, porque os brownies querem-se moles por dentro.
Deixe arrefecer e corte em quadrados

Tuesday, 12 October 2010

Booker Prize 2010

Será hoje anunciado o vencedor do prestigioso prémio literário "Booker". A lista de seleccionados é a seguinte:
Peter Carey-Parrot and Olivier in America
Emma Donoghue-Room
Damon Galgut-In a Strange Room
Howard Jacobson-The Finkler Question
Andrea Levy-The Love Song
Tom McCarthy-C

Monday, 4 October 2010

A sombra do que fomos, Luis Sepúlveda

"Quando regressaste do exílio? Quis responder que do exílio não se regressa, que qualquer intenção de o fazer é um engano, uma tentativa absurda de habitar um país guardado na memória. Tudo é belo no país da memória, não há tremores e até a chuva é grata no país da memória"

Sunday, 3 October 2010

Sunday, 15 August 2010

Serões da Província-Corridas de sapos

Um amigo nosso que veio ficar cá em casa ontem à noite e mora em Londres sugeriu que eu escrevesse um blogue sobre a minha aldeia. A verdade é que este blogue já existe e as crónicas "Serões da Província" devem ser actualizadas. Cá vai:


A aldeia continua completamente adormecida e imersa numa bruma já quase outonal. O tempo esteve razoável até meados de Julho, mas depois decidiu que estamos na Inglaterra e não convém termos ilusões mediterrânicas. Não há perigo disso, pois tem chovido quase todos os dias e à noite faz uma arajem fria. A grande novidade é que o padre foi promovido a bispo (anglicano) e vai para Bristol, levando com ele a mulher e crianças que vi na festa da aldeia. Este foi o acontecimento do ano, com pequenas tendas a vender doces de fruta e bolos, jogos e uma mostra de tractores que entusiasmaram muitos miúdos e graúdos. Foi o meu segundo evento na aldeia, após uma estranha noite numa "gala" de caridade para angariar fundos para a escola. Havia uma separação entre a "creme de la creme" da terra, com o vigário, os médicos, o "senhor feudal" do sítio e o povo. Algumas senhoras estavam de vestidos compridos, mau-grado o frio , a chuva e o facto de estarmos numa espécie de barracão a assitir a um rídiculo leilão de sapos de cartolina. Para cada corrida dos tais sapos, tinhamos que apostar num deles e depois puxar uns cordéis para ver que sapo ganhava. Foi uma das noites mais aborrecidas e insólitas da minha vida. O pessaol da aldeia estava entusiasmadissimo, até que a electricidade foi abaixo e tivemos que comer à luz das velas e tentar vislumbrar os sapos. Houve discursos e falou-se da coragem e do espírito de perseverança dos aldeões, na face da adversidade e tudo por uma boa causa, como se em vez de ter faltado a luz por causa duma tempestade, estivessem a ser bombordeados pelos Nazis.
Outra grande novidade, mas que não surpreende ninguém é a venda do pub, . Este estabelecimento demora várias horas a servir uma sanduiche, diversas vezes não tem água gaseificada, coca-cola ou bebidas que não sejam alcoólicas, até porque é gerido por um senhor embriagado e mal-encarado que não gosta de ter clientes e prefere beber a tarde inteira em silêncio com um homem com ar campónio e t-shirt a dizer Los Angeles que está sempre sentado ao pé do bar. Vai-se lá saber onde irá passar os dias quando o pub arranjar comprador.
Entretanto um grupo amador está a tentar montar uma peça de teatro e houve uma zaragatazita entre os organizadores de um concerto de música clássica na igreja e um comité para debater obras a fazer na paróquia porque as datas dos eventos coincidiam. É assim a vida de uma aldeia movimentada. Em Setembro vai haver um concurso de vegetais que vão competir em termos de tamanho e aparência geral. Infelizmente não vou cá estar...

Friday, 23 July 2010

Casacos de peles e homofobia

Ontem vi um filme inacreditável com o Cary Grant e a Doris Day. Apesar de adorar o Cary Grant, que personifica o carisma, o estilo, o humor da época e gostar imenso de ver filmes passados numa altura em que beber cocktails ao almoço é considerado normal e as pessoas se vestiam bem e tinham telefones verdes limão (no caso deste filme particular) fiquei estupefacta com a mensagem do "That touch of mink" de 1962. Estava-se a entrar nos anos 60 e este filme mostra tudo o que aterrorizava a mentalidade conservadora dos Estados Unidos no dealbar da revolução social que ocorre nesta década: A desintegração da família, a emancipação das mulheres, a existência de outras relações que não as tradicionais, a possibilidade de outros pontos de vista.
Cary Grant é um homem de negócios de sucesso, Doris Day é uma secretária desempregada provinciana, com valores sólidos que se enamora dele. Ora, Cary Grant não quer casar, mas quer dormir com ela, tentando seduzi-la com jantares, viagens às Bermudas e casacos de pele. Este filme desaprova seriamente do sexo antes do casamento e tenta mostrar de uma maneira divertida com uma série de peripécias, em que a secretária tenta escapar-se aos truques do Cary Grant, uma das vezes dizendo-lhe até que tinha "um tio socialista", uma revelação destinada a dissuadi-lo de tentar partilhar o leito antes de ter a aliança firmemente no dedo. Antecipando as comédias românticas em que as mulheres não passam de umas tontas, que só fazem disparates e pensam em casamentos, Doris Day que não está muito interessada em trabalhar, fica inebriada com as fatiotas (de facto deslumbrantes) e os casacos de pele (dispenso).
Mas o mais chocante é uma personagem secundária, Roger, o melhor amigo, assistente de Cary Grant que reforça a comédia com alguns comportamentos absurdos. Um mal-entendido com o psiquiatra que o trata há anos faz com que este pense que Roger está envolvido com o patrão. O que é sinistro é o analista achar que Roger está completamente louco e destabilizado, que tem continuar a análise "mas com outro terapeuta". O psiquiatra decide que tem que estudar mais em Viena, o berço de Freud, sendo o caso tão sério. Roger continua a falar de Cary Grant e a contar do casamento (como calculam ele cede e casa com Doris Day) o que tem um efeito cómico, por parecer que é ele que casa com Grant, mas ao mesmo tempo mostra como a homosexualidade era vista como uma condição psiquiátrica grave. A grande ironia é que Grant era bisexual, segundo um dos seus biógrafos. Apesar de ter casado cinco vezes, viveu 12 anos com um actor amigo, Randolph Scott. Com uma infância extremamente infeliz e sob uma enorme pressão de Holywood, é possível que ele, como outros tenham tido que fingir serem heterosexuais, participando até em filmes homofóbicos.

Friday, 16 July 2010

Pãezinhos com chouriço

Nunca tive muito jeito para pães e bolos e a minha avó costumava dizer que eu não "tinha mão para massas". 20 e tal anos em dietas causaram-me uma séria fobia de açucares e hidratos de carbono, que agora ultrapassei. Enquanto que para fazer entradas e pratos principais pode-se inventar e não seguir receitas à risca, para fazer sobremessas, bolos e pães, as medidas têm que estar absolutamente correctas. Com esta nova atitude científica perante a arte de amassar e da pastelaria e doçaria, iniciei-me talvez numa paixão que pode durar uma vida inteira. Demora horas, mas é relaxante e não há nada como comer pão acabado de fazer.

Estes pães são deliciosos e relativamente fáceis.


6 Pãezinhos médios

Ingredientes:

meio quilo de farinha e mais 200 gr para amassar

1 colher de chá de fermento

3 colheres de sopa de açucar

3 colheres de sopa de sal

2 ovos e uma gema à parte

meio copo pequeno de água

meio copo pequeno de leite

Rodelas de chouriço


Método:
Acenda o forno a 180 graus.
Coloca-se a farinha peneirada numa taça grande e mistura-se com o fermento açucar e sal, faz-se um buraco no meio e adiciona-se o leite e a água, incorporando bem, depois junta-se os ovos, mexendo sempre. Deixa-se a massa descansar durante meia hora tapada. Amassa-se a seguir, em superfície enfarinhada e juntando o resto da farinha até obter uma consistência elástica, mas ainda mais para o líquido. Fazem-se bolinhas, pondo rodelas de chouriço no interior de cada pão e pincela-se com a gema de ovo. Leve a forno quente durante 20 minutos em tabuleiro polvilhado de farinha.