Quando mudei de Londres para o campo houve uma coisa que notei de imediato: não foi o ar puro, nem a simpatia das terras pequenas, nem sequer o ritmo lento da vida bucólica, mas sim a qualidade execrável dos vinhos nos "pubs". Ora, na última década com a revolução gastronómica que ocorreu aqui no Reino, os vinhos servidos em "pubs" e restaurantes em Londres e nas outras grandes cidades melhoraram muito. Encontram-se listas razoáveis por região do mundo e o interesse por vinhos cresceu tanto que há pessoas que chamam às filhas Chardonnay, um dos piores exemplos de mau gosto, mas isso é outro tema.
Agora no campo, não há perigo de ninguém chamar Pinot Grigio às crianças. As listas de vinho, quando existem oferecem no máximo, três possibilidades. Num dos "pubs" da minha aldeia, o dono explicou que " não existe procura de vinhos bons" para justificar os vinhos disponsíveis que basicamente se podem descrever como: zurrapa tinta e zurrapa branca. Quando a minha irmã me visitou e fomos ao "pub", convenceu-me que eu não podia beber o vinagre que me serviram a fazer as vezes de vinho branco e decidiu discretamente dá-lo a beber às plantas da nossa mesa, enquanto eu temia que alguém nos apanhasse em tal delito e eu, a estrangeira fosse "persona non grata", com manias de vinhos e preciosismos afrancesados. A maioria das pessoas não provam os vinhos nos restaurantes e com grande embaraço pedem que lhes sirvam, seja o que fôr, tudo para não se queixarem e causarem consternação ao empregado. Acredito que o britânico típico prefere comer ou beber algo estragado do que ter que mandar coisas para trás e causar confusão. Ao contrário dos portugueses. Há "pubs", cujos empregados ficaram espantados quando eu perguntei se tinha champanhe na noite de fim do ano. Há pouco tempo pedi um vinho branco sauvignon blanc (o único) num "pub" na aldeia vizinha. Como o posso descrever? avinagrado no paladar, com notas de urina (aliás a cor era de urina escura, daquela que denota sérios problemas nos rins). Será que bebi...sim, claro, não me podia queixar...com água gasosa. Ainda me perguntam os meus familiares e amigos porque misturo eu vinho branco com água das pedras. Para diluir a urina. Por isso, estou a organizar uma prova de vinhos, no sentido de educar os gostos enológicos no campo inglês. A enóloga que vai fazer a prova já me disse que espera que os participantes bebam até à última gota cada vinho e não cuspam nada fora, o que também é a minha experiência em provas com ingleses. Como diz o Jamie Oliver (nunca pensei que o fosse citar tanto), a única maneira de fazer com que os super-mercados deixem de vender peixe mau é as pessoas exigirem peixe fresco. O mesmo se pode dizer dos vinhos. Vamos fazer uma revolução vinícola no campo e difundir a mensagem de que tem que haver escolha para os que não gostam de cerveja. Abaixo a urina!
Thursday, 24 March 2011
Sunday, 20 February 2011
As serviçais-the Help-segregação cultural?
O livro "The Help" de Kathryn Stockett foi uma surpresa agradável para mim, recomendo-o já e garanto que é difícil de parar de ler, mal se entra na história. Em português entitula-se "As serviçais" e não faço ideia se a tradução é decente. É praticamente impossível de traduzir uma linguagem que é por vezes é um dialecto, muito idiomática e enraízada numa cultura e numa altura diferentes, mas mais do que a escrita, fascinou-me o enredo, a riqueza interior das personagens e os temas complexos em que toca.
Passado na cidade de Jackson no Mississipi nos anos 60, "The Help" relata a vida das criadas negras que tratam das crianças das famílias ricas, a segregação, o racismo da sociedade em que vivem, à beira de mudanças profundas. A trama centra-se em duas empregadas negras e uma rapariga branca, que quer ser escritora e decide contar as histórias dessas mulheres e a coragem delas ao desafiarem as leis que estipulavam a separação e a subordinação dos negros e as normas e convenções sociais da época.
Primeiro, ao ver a fotografia da autora, branca, loura e nova na contracapa e ao começar a ler capítulos na "voz" de Abileen, uma das criadas negras, tive sérias dúvidas sobre este livro e tive que ultrapassar uma certa irritação inicial. No entranto, a ficção é isso mesmo, essa capacidade de empatia, de extrapolar, de "fingir" com autencidade. A autencidade existe aqui, mesmo se activistas radicais acusaram Stockett de ser racista por ter ousado exprimir o que sentem personagens negras. Será que não é essa atitude que perpetua a segregação, também cultural de que só os negros podem escrever sobre negros e há barreiras que são intransponíveis?
O livro domina as listas de "bestsellers" do New York Times, teve em geral mais críticas positivas que negativas e é o primeiro romance de Stockett, que foi rejeitada por 50 agentes literários, antes de alguém ter visto o potencial deste livro: tem coisas importantes a dizer, apela às mulheres, sejam de que cor forem, confronta um tema que merece ser tratado e coloca questões e gera diálogo e controvérsia. Há muito tempo que não lia um livro tão completo, intrigante, emocionante e bem conseguido.
Passado na cidade de Jackson no Mississipi nos anos 60, "The Help" relata a vida das criadas negras que tratam das crianças das famílias ricas, a segregação, o racismo da sociedade em que vivem, à beira de mudanças profundas. A trama centra-se em duas empregadas negras e uma rapariga branca, que quer ser escritora e decide contar as histórias dessas mulheres e a coragem delas ao desafiarem as leis que estipulavam a separação e a subordinação dos negros e as normas e convenções sociais da época.
Primeiro, ao ver a fotografia da autora, branca, loura e nova na contracapa e ao começar a ler capítulos na "voz" de Abileen, uma das criadas negras, tive sérias dúvidas sobre este livro e tive que ultrapassar uma certa irritação inicial. No entranto, a ficção é isso mesmo, essa capacidade de empatia, de extrapolar, de "fingir" com autencidade. A autencidade existe aqui, mesmo se activistas radicais acusaram Stockett de ser racista por ter ousado exprimir o que sentem personagens negras. Será que não é essa atitude que perpetua a segregação, também cultural de que só os negros podem escrever sobre negros e há barreiras que são intransponíveis?
O livro domina as listas de "bestsellers" do New York Times, teve em geral mais críticas positivas que negativas e é o primeiro romance de Stockett, que foi rejeitada por 50 agentes literários, antes de alguém ter visto o potencial deste livro: tem coisas importantes a dizer, apela às mulheres, sejam de que cor forem, confronta um tema que merece ser tratado e coloca questões e gera diálogo e controvérsia. Há muito tempo que não lia um livro tão completo, intrigante, emocionante e bem conseguido.
Monday, 24 January 2011
Carne de porco com batatas e limão
Uma receita super fácil para um vegetariano ou pessoa que só come peixe como eu fazer para carnívoros, embora devam perguntar-se porque cozinho eu carne, compactuando com a morte destes inocentes, mas por vezes é necessário...
Ingredientes:
Um lombo de carne de porco-700 ou 800 gramas
750 grams de batatas com casca, lavadas cortadas em segmentos ou palitos médios
3 limões cortados em segmentos
Azeite
Meia cabeça de alho, com casca, separados e lavados os dentes
Sementes de mostarda
Sal e pimenta a gosto
Método
Aqueça o forno a 180 graus
Coloque as batatas e os limões numa taça grande e regue com azeite, e tempere com sementes de mostarda, sal e pimenta e junte os alhos com a casca
Ponha a carne de porco num tabuleiro de ir ao forno e tempere com sal e pimenta e regue com duas colheres de azeite
Leve ao forno e suba para 200 graus, deixando a carne assar assim durante 15 ou 20 minutos
Baixe o forno para 180 graus e adicione as batatas e a marinada ao tabuleiro onde ficarão mais 40 minutos.
copywright Livros Petiscos e Iscos
Tuesday, 2 November 2010
Brownies do Jamie Oliver
Tenho feito esta receita várias vezes e é infalível. Funciona muito bem com cerejas, nozes ou frutos secos que se queiram adicionar. Para o Halloween fiz umas decorações em açucar cor de laranja a imitar abóboras para pôr em cada brownie. São relativamente fáceis, deliciosos e congelam-se bem ou duram uns bons dias em caixa de latão ou em recipiente de plástico. Aquecidos no micro-ondas com gelado por cima são divinais. Cada vez gosto e admiro mais o Jamie Oliver que criou esta receita para o restaurante dele, 15, um dos seus projectos sociais em que jovens sem-abrigo e de meios pobres são treinados nas artes culinárias.
Ingredientes:
250g manteiga sem sal
200 chocolate preto (pelo menos 70% de cacau) de boa qualidade
80g de cacau em pó peneirado
65g farinha peneirada
1 colher de chá de fermento
350 g de açucar (eu ponho 300 e já cheguei a pôr 250 para brownies menos doces)
4 ovos
Método
Forre uma forma com papel para bolos e aqueça o forno a 180 graus.
Em banho maria, derreta o chocolate e a manteiga
Numa taça grande misture o cacau, a farinha e o fermento, adicione a mistura de chocolate e manteiga derretida e mexa bem (eu uso uma batedeira eléctrica)
Junte os ovos um a um e mexa até obter uma consistência macia.
Deite na forma e coza 25 minutos. Ao contrário de outros bolos, o garfo não tem que vir limpo, porque os brownies querem-se moles por dentro.
Deixe arrefecer e corte em quadrados
Ingredientes:
250g manteiga sem sal
200 chocolate preto (pelo menos 70% de cacau) de boa qualidade
80g de cacau em pó peneirado
65g farinha peneirada
1 colher de chá de fermento
350 g de açucar (eu ponho 300 e já cheguei a pôr 250 para brownies menos doces)
4 ovos
Método
Forre uma forma com papel para bolos e aqueça o forno a 180 graus.
Em banho maria, derreta o chocolate e a manteiga
Numa taça grande misture o cacau, a farinha e o fermento, adicione a mistura de chocolate e manteiga derretida e mexa bem (eu uso uma batedeira eléctrica)
Junte os ovos um a um e mexa até obter uma consistência macia.
Deite na forma e coza 25 minutos. Ao contrário de outros bolos, o garfo não tem que vir limpo, porque os brownies querem-se moles por dentro.
Deixe arrefecer e corte em quadrados
Tuesday, 12 October 2010
Booker Prize 2010
Será hoje anunciado o vencedor do prestigioso prémio literário "Booker". A lista de seleccionados é a seguinte:
Peter Carey-Parrot and Olivier in America
Emma Donoghue-Room
Damon Galgut-In a Strange Room
Howard Jacobson-The Finkler Question
Andrea Levy-The Love Song
Tom McCarthy-C
Peter Carey-Parrot and Olivier in America
Emma Donoghue-Room
Damon Galgut-In a Strange Room
Howard Jacobson-The Finkler Question
Andrea Levy-The Love Song
Tom McCarthy-C
Monday, 4 October 2010
A sombra do que fomos, Luis Sepúlveda
"Quando regressaste do exílio? Quis responder que do exílio não se regressa, que qualquer intenção de o fazer é um engano, uma tentativa absurda de habitar um país guardado na memória. Tudo é belo no país da memória, não há tremores e até a chuva é grata no país da memória"
Sunday, 3 October 2010
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