Friday, 20 June 2008
A vida depois de Hillary
Depois da desistência de Hillary Clinton, o Partido Democrata quer apenas mostrar uma frente unida e esperar que a "Obama-mania" não dê lugar à fadiga face a um candidato que é quase "bom demais para ser verdade". E quem será número 2? Al Gore demorou até vir a público apoiar Obama, mas está claramente a fazer-se ao lugar...
Saturday, 10 May 2008
Hillary não desiste
A maioria dos comentadores aponta que é impossível para Hillary Clinton ganhar a nomeação do Partido Democrata, após as últimas primárias. Não só Barack Obama venceu em mais estados, com percentagens mais elevadas, mas está a angariar cada vez mais apoios entre os super-delegados. A campanha está falida, os membros do partido preferem Obama, o arrastar da batalha interna beneficia os republicanos. Porque é que a mulher não se cala e desaparece, grita um coro de vozes, que a equiparam a Glenn Close no filme Atracção Fatal.
Contudo, Hillary não desiste. Com um número superior de super-delegados, as sondagens indicam vitórias para Clinton em estados que ainda não votaram. A candidata espera que a recontagem dos votos no Michigan e Florida que foram anulados revitalizem-na e reforçem a sua estratégia de avançar até à convenção do partido em Agosto. Obama não convence o eleitorado completamente e alguns duvidam que ele possa fazer face a John McCain. Uma gaffe ou escândalo catastróficos por parte de Obama são a única salvação para a campanha de Hillary.
Contudo, Hillary não desiste. Com um número superior de super-delegados, as sondagens indicam vitórias para Clinton em estados que ainda não votaram. A candidata espera que a recontagem dos votos no Michigan e Florida que foram anulados revitalizem-na e reforçem a sua estratégia de avançar até à convenção do partido em Agosto. Obama não convence o eleitorado completamente e alguns duvidam que ele possa fazer face a John McCain. Uma gaffe ou escândalo catastróficos por parte de Obama são a única salvação para a campanha de Hillary.
Thursday, 8 May 2008
A escolha do povo
Boris Johnson foi eleito para a Câmara de Londres e tal como diz o ditado "Rei Morto, Rei Posto", o antigo regime saiu de saiu de cena para dar lugar ao novo. Numa entrevista à BBC no Domingo, um assessor do ex-"mayor", Ken Livingstone estava já a arrumar a secretária ao ter tido ordem de despejo dos Conservadores. "Pelo menos foi a escolha do povo e não a abolição autoritária como aconteceu nos anos 80", referindo-se à decisão da então Primeira-Ministra Margaret Thatcher de abolir as insituições locais londrinas.
"BoJo" chegou à Câmara com medidas populistas de luta contra o crime e a última sugestão na torrente de novas políticas é proíbir as bebidas alcoólicas no metro. O problema é que que a implementação da medida é quase impossível. A outra grande promessa de Boris é pôr fim aos autocarros articulados que substituiram muitos dos clássicos autocarros de dois andares que os turistas e quase toda a gente adora. Como ciclista, o novo "mayor" tem um verdadeiro pavor dos articulados. A taxa de congestionamento (que reduziu emissões de carbono e facilitou o trânsito) imposta por Livingstone também poderá ser modificada.
Como diz o pai de Boris, ele aprendeu grego e latim no colégio privado que frequentou, portanto está pronto para qualquer desafio.
Esperamos notícias neste Londres recentemente Conservador.
"BoJo" chegou à Câmara com medidas populistas de luta contra o crime e a última sugestão na torrente de novas políticas é proíbir as bebidas alcoólicas no metro. O problema é que que a implementação da medida é quase impossível. A outra grande promessa de Boris é pôr fim aos autocarros articulados que substituiram muitos dos clássicos autocarros de dois andares que os turistas e quase toda a gente adora. Como ciclista, o novo "mayor" tem um verdadeiro pavor dos articulados. A taxa de congestionamento (que reduziu emissões de carbono e facilitou o trânsito) imposta por Livingstone também poderá ser modificada.
Como diz o pai de Boris, ele aprendeu grego e latim no colégio privado que frequentou, portanto está pronto para qualquer desafio.
Esperamos notícias neste Londres recentemente Conservador.
Friday, 2 May 2008
"Bojo na Câmara de Londres"?

As eleições para a presidência da Câmara de Londres e para representantes de assembleias locais no País de Gales e na Inglaterra ocorreu ontem, uma quinta-feira, como é regra no Reino Unido. Não admira pois, que a taxa de absteñção seja tão alta, no país em que as pessoas trabalham o maior número de horas na Europa.
O Partido Trabalhista sofreu uma derrota considerável, o que não é de estranhar, com um Primeiro-ministro, Gordon Brown que não foi sequer eleito, mas que herdou o lugar após a demissão de Tony Blair. Mais grave, foi o facto de Brown ter optado por não convocar eleições e legitimar a sua posição, por saber que era provável que perdesse face a um Partido Conservador retemperado com um novo líder, David Cameron. Os resultados de Londres só serão conhecidos mais tarde com as sondagens a darem um empate entre os dois partidos.A campanha eleitoral foi interessante, principalmente em Londres com os candidatos dos três partidos a apostarem no factor excentricidade, que cai sempre bem com os habitantes da capital. Assim, temos o actual Presidente, Ken Livingstone desde 2000, um rebelde (à esquerda do seu partido, os Trabalhistas) que tinha estado à frente da Great London Authority nos anos 80, abolida por Margaret Thatcher. Livingstone, conhecido como "Ken o Vermelho" nos tablóides de direita é acusado de gastar demasiado dinheiro público, de estar agarrado ao poder e de ter desenvolvido uma arrogância própria dos políticos que se esquecem de que estão a representar o povo. No outro dia, numa entrevista à BBC, o "mayor" estava visivelmente embriagado, arrastava as frases e não transmitia energia nenhuma, mas uma coisa é certa: Ken demonstrou enorme coragem política ao introduzir a impopular taxa de congestionamento na zona central de Londres.
O candidato do Partido Conservador, Boris Johnson é um ex-jornalista, chefe de redacção do Spectator e comentador político do Daily Telegraph que se tornou famoso por aparecer no programa humoristico "Have I Got News For You" e por ter casos amorosos ilícitos com colegas. Deputado há relativamente pouco tempo, Boris andou em colégios privados e movimenta-se no meio da aristocracia ou classe alta britânica. Com o cabelo louro despenteado ea tendência para fazer gaffes ofensivas, "Bojo" é visto como uma figura divertida que é levada pouco à sério.
A questão é que os eleitores, fartos dos Trabalhistas e preocupados com a crise económica podem pensar que precisam de um "mayor" Conservador, que anda de bicicleta e que os pode entreter e conquistar com políticas populistas.
O candidato dos Liberais Democratas, Brian Paddick é um ex-polícia "gay" que ficou conhecido por ser altamente tolerante face às chamadas drogas leves. As suas políticas centram-se no combate ao crime e no reforço da polícia. Embora o crime seja um problema que preocupa os londrinos, Livingstone defende que este está a baixar. Os crimes mais mediáticos têm sido as trágicas mortes de adolescentes em bairros degradados às mãos de "gangs", também compostos de adolescentes.
Segundo a BBC, o Partido Trabalhista poderá ficar em terceiro lugar, com 24%, a seguir aos Liberais Democratas com 25% e os Conservadores com 44%, os piores resultados eleitorais dos últimos 40 anos. Uma sondagem da BBC indicava ontem que os inquiridos preferiam Tony Blair a Gordon Brown. E não esqueçamos que Blair ficará para sempre associado à guerra no Iraque, enquanto Brown era visto como um ministro da economia responsável e eficiente. À medida que se agrava a crise económica e que os excessos anteriores da especulação e dos riscos tomados pelos banco vêm à tona, que os preços das casas caem em catadupa,Brown sai com a reputação em farrapos.
Thursday, 24 April 2008
A gaffe de Obama na Pensilvânia "Tacanha"
Os Democratas da Pensilvânia responderam à gaffe de Barack Obama ao dar uma vitória inequívoca a Hillary Clinton (10% de vantagem), fazendo assim com que a corrida à nomeação se arraste mais uns meses. Para os que ainda não notaram, Obama não é perfeito e o messias que vai salvar os Estados Unidos e o mundo após oito anos de governo Bush. Carismático, capaz de inspirar uma geração apática e bem-falante, o candidato “distraiu-se” e disse a uma audiência de empresários em São Francisco que a classe baixa na Pensilvânia era “amarga” e tacanha, que reage à falta de oportunidades económicas e socais virando-se para a posse de armas de fogo, a religião fanática e a xenofobia. Estes comentários mostram o que muitos já suspeitavam: Barack Obama não é um filho do povo. Como a maior parte dos políticos nos Estados Unidos é elitista, assim o descreveu o candidato Republicano, John McCain. Obama frequentou colégios e universidades de luxo, movimentando-se num meio culto, instruído e rico. Alguns acusam-no de estar desfazado da realidade da populaça americana, com a sua mentalidade ultra-conservadora, crença evangélica e medo-desprezo pelos valores urbanos e “estrangeiros”.
Os eleitores Democratas vão às urnas no dia 6 de Maio na Carolina do Norte e em Indiana, onde se espera que Obama recupere a vantagem sobre a sua adversária.
Contudo, são os “super-delegados” que votam no Congresso em Agosto que irão fazer a diferença. Analistas políticos têm referido que Hillary ganha nos estados importantes e cruciais para que o partido possa derrotar McCain.
Contudo, são os “super-delegados” que votam no Congresso em Agosto que irão fazer a diferença. Analistas políticos têm referido que Hillary ganha nos estados importantes e cruciais para que o partido possa derrotar McCain.
O poder dos blogues
No entanto, os comentadores pensam que para Obama perder a nomaeção terá que cometer erros consideráveis. Uma lição que ele aprendeu no evento onde fez os tais comentários infelizes é a não ignorar os chamados cidadãos-jornalistas.
Ao fazer o discurso a um grupo de empresários californianos com o intuito de angariar fundos para a sua campanha, Obama pensou que podia estar à vontade, já que o evento era vedado à imprensa. Só que Mayhill Fower de 61 anos e uma “blogger” do “Huffington Post” estava presente.
Hoje em dia com o avanço da blogosfera, os meios de comunicação não só não podem ser controlados como como têm que repensar questões éticas. O mais interessante é que Mayhill é apoiante de Obama e contribui até dinheiro para a campanha. Ao gravar os comentários do candidato e ao aperceber-se do seu potencial para afectar a sua imagem quase imaculada, a “blogger” (bloguista?) questionou o que deveria fazer. Para a editora do “Huffington Post” não havia dúvida de que deontologicamente não se pode cobrir uma campanha e ocultar as facetas negativas dos políticos conforme as nossas convicções (também ela apoia entusiasticamente Obama). E assim, a gaffe, a grande “cacha do “Huffington” passou da blogosfera para outros meios de comunicação social.
Ao fazer o discurso a um grupo de empresários californianos com o intuito de angariar fundos para a sua campanha, Obama pensou que podia estar à vontade, já que o evento era vedado à imprensa. Só que Mayhill Fower de 61 anos e uma “blogger” do “Huffington Post” estava presente.
Hoje em dia com o avanço da blogosfera, os meios de comunicação não só não podem ser controlados como como têm que repensar questões éticas. O mais interessante é que Mayhill é apoiante de Obama e contribui até dinheiro para a campanha. Ao gravar os comentários do candidato e ao aperceber-se do seu potencial para afectar a sua imagem quase imaculada, a “blogger” (bloguista?) questionou o que deveria fazer. Para a editora do “Huffington Post” não havia dúvida de que deontologicamente não se pode cobrir uma campanha e ocultar as facetas negativas dos políticos conforme as nossas convicções (também ela apoia entusiasticamente Obama). E assim, a gaffe, a grande “cacha do “Huffington” passou da blogosfera para outros meios de comunicação social.
Monday, 21 April 2008
Diário de Uma Senhora da Província
Estou a saborear aos poucos, o "Diary of a Provincial Lady", de E.M. Delafield. Publicado em 1930 é um relato escrito na primeira pessoa, que é um pioneiro da chamada "Chick Lit", um rótulo um pouco pejorativo da "literatura leve para mulheres" ao género do "Diário da Bridget Jones".
De classe média-alta, a protagonista tem dois filhos, um marido (sempre a dormitar por trás do "Times"). Os seus dias são passados a gerir a casa, apesar de ter várias criados, uma cozinheira e uma "mademoiselle", encarregada da educação da filha. O filho tinha sido já despachado para um colégio interno. Robert, o marido é distraído, ausente e paternalista.
A Senhora da Província não trabalha, vive em Devon, numa pequena aldeia e movimenta-se na paisagem social, com visitas da mulher do Vigário, de jantares, almoços e "pic nics" aborrecidos.
A criadagem dá-lhe inúmeras dores de cabeça por estar sempre a queixar-se e despedir-se, pelo que ela é forçada a procurar substitutos, o que a deixa exausta. A sua conta tem o saldo negativo e ela tem que penhorar o anel de dimantes da avó, embora as aparências devam ser mantidas a todo o custo e ela continuar a comprar vestidos e chapéus "por não ter nada que vestir".
O diário é escrito num estilo divertido e a Senhora da Província torna-se particularmente exuberante quando viaja para Londres, França e Bruxelas com amigas.
A autora, que era jornalista e escreve este diário ficcional, mas profundamente autobiográfico foi convidada a publicá-lo em folhetins na revista feminista "Time and Tide". Após a publicação deste diário surgiu "The Provincial Lady in America" e "The Provincial Lady in Wartime", além de outros livros e peças de teatro, num corropio prolífico até à sua morte aos 51 anos.
Hoje em dia, a Senhora da Província teria um blogue, com conselhos úteis sobre como tratar os criados e como encontrar aquele vestido divino para uma "soirée literária".
De classe média-alta, a protagonista tem dois filhos, um marido (sempre a dormitar por trás do "Times"). Os seus dias são passados a gerir a casa, apesar de ter várias criados, uma cozinheira e uma "mademoiselle", encarregada da educação da filha. O filho tinha sido já despachado para um colégio interno. Robert, o marido é distraído, ausente e paternalista.
A Senhora da Província não trabalha, vive em Devon, numa pequena aldeia e movimenta-se na paisagem social, com visitas da mulher do Vigário, de jantares, almoços e "pic nics" aborrecidos.
A criadagem dá-lhe inúmeras dores de cabeça por estar sempre a queixar-se e despedir-se, pelo que ela é forçada a procurar substitutos, o que a deixa exausta. A sua conta tem o saldo negativo e ela tem que penhorar o anel de dimantes da avó, embora as aparências devam ser mantidas a todo o custo e ela continuar a comprar vestidos e chapéus "por não ter nada que vestir".
O diário é escrito num estilo divertido e a Senhora da Província torna-se particularmente exuberante quando viaja para Londres, França e Bruxelas com amigas.
A autora, que era jornalista e escreve este diário ficcional, mas profundamente autobiográfico foi convidada a publicá-lo em folhetins na revista feminista "Time and Tide". Após a publicação deste diário surgiu "The Provincial Lady in America" e "The Provincial Lady in Wartime", além de outros livros e peças de teatro, num corropio prolífico até à sua morte aos 51 anos.
Hoje em dia, a Senhora da Província teria um blogue, com conselhos úteis sobre como tratar os criados e como encontrar aquele vestido divino para uma "soirée literária".
Friday, 11 April 2008
Virago:Uma editora de Mulheres para Mulheres
A editora Virago comemora os seus trinta anos em Maio, uma idade ainda jovem para o que se tornou uma institução do meio editorial britânico.
Com um grafismo inconfundível, as capas verdes, e a publicações de obras raras, a Virago inspira as mulheres que publicam livros escritos por mulheres, alguns dos quais tinham inicialmente sido marginalizados pelas grandes casas editoriais.
Para celebrar os seus 30 anos de existência, a Virago vai publicar em capa dura, obras que são agora clássicos, com introduções de escritores contemporâneos.
Um dos mais falados, porque difícil de encontrar nas livrarias é o "Diary of a Provincial Lady" de E M Delafield, que é um relato divertido de uma senhora que vive em Devon com uma bela casa, marido (sempre adormecido ou escondido por trás do "Times") e cuja razão principal de viver é manter as aparências.
A Virago na realidade criou autores de culto e salvou escritoras como a Daphne du Maurier (sobre quem já escrevi neste blog) de uma reputação que as rebaixa a uma categoria de meros "romances de cordel" ou "thrillers" ou o degradante conceito de "livros para mulheres", ou seja sobre sentimentos, emoções,a vida normal, a casa, os filhos, as relações.
Sem qualquer vergonha, a Virago assumiu-se como uma editora feminista.
http://www.virago.co.uk/
Lista de livros da Virago que recomendo
Com um grafismo inconfundível, as capas verdes, e a publicações de obras raras, a Virago inspira as mulheres que publicam livros escritos por mulheres, alguns dos quais tinham inicialmente sido marginalizados pelas grandes casas editoriais.
Para celebrar os seus 30 anos de existência, a Virago vai publicar em capa dura, obras que são agora clássicos, com introduções de escritores contemporâneos.
Um dos mais falados, porque difícil de encontrar nas livrarias é o "Diary of a Provincial Lady" de E M Delafield, que é um relato divertido de uma senhora que vive em Devon com uma bela casa, marido (sempre adormecido ou escondido por trás do "Times") e cuja razão principal de viver é manter as aparências.
A Virago na realidade criou autores de culto e salvou escritoras como a Daphne du Maurier (sobre quem já escrevi neste blog) de uma reputação que as rebaixa a uma categoria de meros "romances de cordel" ou "thrillers" ou o degradante conceito de "livros para mulheres", ou seja sobre sentimentos, emoções,a vida normal, a casa, os filhos, as relações.
Sem qualquer vergonha, a Virago assumiu-se como uma editora feminista.
http://www.virago.co.uk/
Lista de livros da Virago que recomendo
- The Clothes on their backs, Linda Grant. Uma rapariga tímida descobre que tem um tio extravagante, que a leva numa viagem ao passado e aos segredos que a família emigrante escondeu
- The Women´s room, Marilyn French. Um clássico do feminismo dos anos 70. Um grupo de mulheres reúne-se para partilhar experiências
- Rebecca, Daphe du Maurier. A inexperiente narradora casa com um homem 20 anos mais velho, o viúvo rico e misterioso, Max de Winter. A presença da primeira mulher, Rebecca é dominante e como defendeu a autora do livro este é um "estudo sobre o ciúme"
- Heartburn, Nora Ephron. A autora do guião de "When Harry Met Sally" e outros filmes escreve histórias caústicas sobre relações amorosas. Aqui, Rachel Samstat, que adora cozinhar e produz receitas de culinária para um jornal pinta um retrato agridoce da sua paixão e casamento com um jornalista egocêntrico. No meio surgem receitas e o que elas significam para a protagonista.
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